Agostinho de Hipona nasceu em Tagaste, no norte da África (atual Argélia), em 354 d.C., filho de um pagão chamado Patrício e de uma cristã devota, Santa Mônica. Desde jovem, destacou-se pelos estudos em retórica e filosofia, tendo sido educado em Madaura e depois em Cartago. Na juventude, levou uma vida intensa e conturbada — aderiu ao maniqueísmo, uma doutrina dualista que explicava o mundo como luta entre bem e mal, e teve um filho ilegítimo, Adeodato. Lecionou retórica em Cartago e depois em Roma e Milão, onde entrou em contato com o neoplatonismo e com as pregações do bispo Ambrósio, que o impressionaram profundamente. Após uma longa crise espiritual, Agostinho converteu-se ao cristianismo em 386 d.C., na famosa cena do jardim em que ouviu uma voz infantil dizer "Tolle, lege" (toma e lê), abrindo a Bíblia no livro de Romanos. Foi batizado por Ambrósio na Páscoa de 387 d.C. e retornou à África, onde fundou uma comunidade monástica e foi ordenado sacerdote. Em 396 d.C., tornou-se bispo de Hipona, cargo que exerceu por 34 anos até sua morte. Sua obra é vastíssima — escreveu mais de cem livros, entre eles as Confissões, uma autobiografia espiritual considerada a primeira grande obra de introspecção da literatura ocidental, e A Cidade de Deus, uma defesa do cristianismo após o saque de Roma pelos visigodos em 410 d.C., onde desenvolve uma filosofia da história dividida entre a cidade terrena e a cidade divina. Agostinho também abordou temas como o livre-arbítrio, a graça divina, o pecado original e o tempo — suas reflexões sobre a natureza do tempo no livro XI das Confissões são até hoje estudadas por filósofos e físicos. Morreu em 430 d.C. durante o cerco de Hipona pelos vândalos, aos 75 anos. É considerado um dos quatro grandes Doutores da Igreja Latina e sua influência atravessa toda a filosofia medieval, reaching Tomás de Aquino e influenciando também pensadores modernos e contemporâneos.