Thomas Piketty nasceu em Clichy, na região metropolitana de Paris, na França, em 7 de maio de 1971. Formou-se pela École Normale Supérieure e obteve o doutorado em economia aos 22 anos, em 1993, com uma tese sobre a teoria da redistribuição de riqueza, desenvolvida conjuntamente entre a École des Hautes Études en Sciences Sociales e a London School of Economics. Após um breve período lecionando no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, retornou à França, onde se tornou professor na EHESS e cofundador da Paris School of Economics, instituição voltada à pesquisa avançada em economia. Sua pesquisa concentrou-se desde cedo no estudo da desigualdade de renda e riqueza ao longo do tempo, utilizando extensas séries históricas de dados fiscais de diferentes países, metodologia que ajudou a consolidar como campo de estudo. Publicou em 2001 Os Altos Rendimentos na França no Século XX, obra que já demonstrava seu método característico de reconstrução histórica de dados tributários. Alcançou repercussão internacional com O Capital no Século XXI, publicado originalmente em francês em 2013 e traduzido para o inglês em 2014, que se tornou um inesperado best-seller mundial. Na obra, Piketty reúne dados de diversos países ao longo de séculos para argumentar que, historicamente, quando a taxa de retorno do capital supera a taxa de crescimento econômico, a riqueza tende a se concentrar cada vez mais, ampliando a desigualdade; com base nessa análise, defende a adoção de um imposto progressivo global sobre grandes fortunas. Passou a codirigir, ao lado de economistas como Emmanuel Saez e Gabriel Zucman, o World Inequality Lab, responsável por consolidar o Banco de Dados Mundial sobre Desigualdade e publicar relatórios periódicos sobre o tema. Deu continuidade a essa linha de pesquisa em livros posteriores, como Capital e Ideologia (2019) e Uma Breve História da Igualdade (2021). Piketty permanece ativo como pesquisador e é hoje uma das vozes mais influentes nos debates internacionais sobre desigualdade econômica, tributação progressiva e o papel do Estado na redistribuição de riqueza, tendo reaquecido, no século XXI, discussões sobre concentração de capital que remontam aos economistas clássicos do século XIX.