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Filosofando FILOSOFANDOPensar. Compreender. Transformar.
Thomas Kuhn

Thomas Kuhn

Filósofo e físico americano, autor de A Estrutura das Revoluções Científicas, criador do conceito de paradigma.

Thomas Samuel Kuhn nasceu em Cincinnati, Ohio, em 18 de julho de 1922, em uma família de ascendência judaica. Seu pai era engenheiro hidráulico e sua mãe, uma editora. Kuhn formou-se em física pela Universidade Harvard em 1943 e, após servir na Segunda Guerra Mundial trabalhando com radar na Europa, retornou a Harvard para concluir seu doutorado em física em 1949. Durante seus anos de pós-graduação, foi profundamente influenciado pelo contato com a história da ciência ao lecionar um curso sobre o tema para estudantes de humanidades — essa experiência o fez perceber que a imagem da ciência como um acúmulo linear e contínuo de descobertas não correspondia ao que realmente acontecia na história. Kuhn passou a dedicar-se à história e filosofia da ciência, lecionando em Harvard, Berkeley, Princeton e no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). Em 1962, publicou sua obra-prima, A Estrutura das Revoluções Científicas, um dos livros acadêmicos mais influentes do século XX. Nela, Kuhn propõe que a ciência não avança por acumulação gradual de conhecimento, mas por meio de revoluções periódicas. Uma comunidade científica trabalha dentro de um paradigma — um conjunto de teorias, métodos e valores compartilhados que define a "ciência normal". Com o tempo, anomalias se acumulam que o paradigma não consegue explicar, levando a uma crise. Eventualmente, um novo paradigma emerge e substitui o antigo em uma revolução científica — uma mudança que Kuhn comparou a uma "troca de Gestalt", em que os cientistas passam a ver o mundo de uma forma completamente nova. Exemplos clássicos incluem a substituição do sistema ptolomaico pelo copernicano, da física newtoniana pela einsteiniana e da química do flogisto pela de Lavoisier. Kuhn introduziu também o conceito de incomensurabilidade — a ideia de que paradigmas rivais não podem ser comparados de forma puramente objetiva porque seus termos, métodos e padrões são fundamentalmente diferentes. A obra gerou debates intensos e influenciou não apenas a filosofia da ciência, mas também as ciências sociais, a antropologia, a economia e os estudos culturais. Kuhn recebeu inúmeros prêmios e honrarias, incluindo a Medalha George Sarton da Sociedade de História da Ciência. Morreu em Cambridge, Massachusetts, em 17 de junho de 1996, aos 73 anos, vítima de câncer. Seu conceito de paradigma tornou-se parte do vocabulário intelectual comum, e sua obra continua sendo referência central para qualquer discussão sobre a natureza do conhecimento científico.

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