Sun Tzu
General e estrategista militar chinês, autor tradicional de "A Arte da Guerra", obra fundadora do pensamento estratégico.
Sun Tzu, cujo nome seria Sun Wu, é tradicionalmente identificado como general e estrategista militar chinês ativo durante o Período das Primaveras e Outonos, por volta do século VI a.C., segundo o relato do historiador Sima Qian, que o situa a serviço do rei Helü, do estado de Wu. Conforme essa tradição, Sun Tzu teria demonstrado ao rei, de forma dramática, sua capacidade de transformar disciplina em poder militar: convocado a treinar um grupo de concubinas do palácio como se fossem soldados, e diante da recusa risonha das favoritas do rei em seguir as ordens, teria mandado executá-las diante da corte para provar que a autoridade de um comandante deve ser absoluta e incondicional, episódio que, verdadeiro ou não, tornou-se um dos relatos mais célebres associados a seu nome. A existência histórica exata de Sun Tzu, assim como a data precisa de composição de sua obra, é debatida por historiadores modernos; parte significativa da pesquisa acadêmica atual sugere que "A Arte da Guerra" (Sunzi Bingfa) pode ter sido composta, editada ou consolidada apenas mais tarde, possivelmente entre os séculos V e III a.C., já no Período dos Reinos Combatentes, e que o texto talvez reflita a contribuição de mais de um autor ao longo do tempo, incluindo possivelmente um descendente chamado Sun Bin, também estrategista militar. Independentemente dessas incertezas, "A Arte da Guerra" consolidou-se como o mais influente e duradouro tratado de estratégia militar da história chinesa, estruturado em treze capítulos que abordam temas como planejamento estratégico, uso do terreno, disposição das tropas, logística, engano tático e espionagem. Entre seus princípios mais conhecidos está a ideia de que o ápice da habilidade estratégica não está em vencer cem batalhas, mas em submeter o inimigo sem travar batalha alguma; a máxima de que conhecer a si mesmo e conhecer o adversário garante vitória em cem combates; e a valorização constante da flexibilidade, da adaptação às circunstâncias e do engano como elementos centrais de qualquer confronto. A obra circulou por séculos na China e, mais tarde, em todo o Leste Asiático, influenciando gerações de líderes militares, entre eles figuras associadas à formação do Japão feudal e, posteriormente, estrategistas modernos. A partir do século XX, "A Arte da Guerra" ultrapassou de forma decisiva o contexto estritamente militar, sendo amplamente lida e citada também no mundo dos negócios, da política, do esporte e da negociação, como referência para pensar competição, liderança e tomada de decisão sob incerteza, tornando-se um dos textos chineses antigos mais traduzidos e comercialmente difundidos em todo o mundo.