René Descartes nasceu em La Haye, na França (hoje chamada Descartes), em 31 de março de 1596, em uma família da pequena nobreza. Aos oito anos, ingressou no colégio jesuíta de La Flèche, onde recebeu uma educação sólida em filosofia, matemática e ciências — mas saiu de lá desiludido com o conhecimento de sua época, que considerava incerto e especulativo. Formou-se em direito pela Universidade de Poitiers em 1616, mas nunca exerceu a advocacia. Aos 22 anos, alistou-se no exército do príncipe Maurício de Nassau, nos Países Baixos, e depois serviu em outros exércitos europeus, viajando por boa parte do continente. Foi durante esse período que teve, em 1619, uma série de três sonhos ou visões que interpretou como uma revelação divina sobre sua missão de reformar o conhecimento humano. Descartes passou a maior parte de sua vida adulta nos Países Baixos, onde viveu em relativo isolamento por 20 anos, dedicando-se à filosofia e à matemática. Em 1637, publicou sua primeira grande obra, O Discurso do Método, onde propõe a dúvida metódica como ponto de partida para o conhecimento — duvidar de tudo até encontrar uma verdade indubitável, que ele encontrou na célebre formulação "Cogito, ergo sum" (Penso, logo existo). Para Descartes, a certeza do pensamento próprio é o fundamento inabalável sobre o qual todo conhecimento pode ser reconstruído. A partir daí, ele estabeleceu a separação radical entre mente (res cogitans) e matéria (res extensa), conhecida como dualismo cartesiano, e propôs a existência de Deus como garantidor da correspondência entre nossas ideias claras e distintas e a realidade. Em matemática, criou a geometria analítica, unindo álgebra e geometria e introduzindo o sistema de coordenadas cartesianas que leva seu nome. Suas outras obras importantes incluem Meditações Metafísicas (1641) e Princípios da Filosofia (1644). Em 1649, aceitou um convite da rainha Cristina da Suécia para ser seu professor de filosofia, mudando-se para Estocolmo. O rigoroso inverno sueco e a rotina de aulas às cinco da manhã agravaram sua saúde debilitada. Descartes morreu de pneumonia em 11 de fevereiro de 1650, aos 53 anos. É considerado o pai da filosofia moderna e um dos pensadores mais influentes de toda a história ocidental.