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Filosofando FILOSOFANDOPensar. Compreender. Transformar.
Pierre Bourdieu

Pierre Bourdieu

Sociólogo francês, criador dos conceitos de habitus, capital cultural e capital simbólico, autor de "A Distinção".

Pierre Bourdieu nasceu em 1º de agosto de 1930, em Denguin, pequena vila do sudoeste da França, filho de um pequeno agricultor que depois se tornou carteiro rural. Essa origem modesta, em contraste com o meio social predominantemente burguês da elite intelectual parisiense a que teve acesso, marcou profundamente sua obra e sua sensibilidade em relação às desigualdades sociais e culturais. Estudou filosofia na École Normale Supérieure de Paris, mas foi durante o serviço militar e a pesquisa etnológica que realizou na Argélia, então em guerra pela independência da França, no fim da década de 1950, que se voltou decisivamente para a sociologia e a antropologia, publicando estudos sobre a sociedade argelina e o desenraizamento camponês. De volta à França, associou-se ao Centro de Sociologia Europeia e, em 1981, assumiu a cátedra de sociologia do Collège de France, uma das posições mais prestigiadas do sistema acadêmico francês. Desenvolveu um arcabouço conceitual próprio para analisar a reprodução das desigualdades sociais, com destaque para as noções de habitus, o conjunto de disposições duradouras incorporadas pelos indivíduos a partir de sua trajetória social, e de capital cultural, social e simbólico, formas de recurso e prestígio que, distintas do capital econômico, também se convertem em vantagens sociais e são desigualmente distribuídas entre classes. Em "Os Herdeiros" (1964) e "A Reprodução" (1970), escritos com Jean-Claude Passeron, analisou como o sistema escolar, sob aparência de neutralidade e mérito, contribui para perpetuar as desigualdades de origem. Sua obra mais conhecida, "A Distinção: Crítica Social do Julgamento" (1979), investigou como gostos culturais aparentemente pessoais, em música, alimentação, vestuário ou lazer, funcionam como marcadores de posição social e instrumentos de distinção entre classes. Em "O Poder Simbólico" (1989) e outras obras, aprofundou o conceito de campo, espaço social relativamente autônomo, como o campo artístico, o jurídico ou o acadêmico, estruturado por relações de força específicas. Nos últimos anos de vida, Bourdieu engajou-se publicamente em debates políticos e sociais na França, criticando os efeitos sociais da globalização econômica e do neoliberalismo. Morreu em Paris em 23 de janeiro de 2002. Sua obra teve grande influência sobre a sociologia, a antropologia, a educação e os estudos culturais em todo o mundo.

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