Paulo de Tarso
Missionário e teólogo do cristianismo primitivo, ex-perseguidor convertido, autor de diversas epístolas do Novo Testamento.
Paulo de Tarso, também chamado São Paulo, nasceu no início da era cristã na cidade de Tarso, na Cilícia, atual sul da Turquia, em uma família judaica que possuía cidadania romana, condição rara e valiosa para a época. Recebeu formação religiosa rigorosa em Jerusalém, segundo o relato bíblico sob o rabino Gamaliel, tornando-se fariseu dedicado à observância da Lei judaica. Conhecido inicialmente pelo nome hebraico Saulo, opôs-se com veemência ao movimento cristão nascente, participando, segundo o livro de Atos dos Apóstolos, da perseguição a seguidores de Jesus, inclusive testemunhando a morte do diácono Estêvão. Ainda de acordo com o relato bíblico, no caminho para Damasco, para onde seguia com o objetivo de prender cristãos, teve uma experiência que descreveu como um encontro com Jesus ressuscitado, episódio que a tradição cristã identifica como sua conversão. A partir de então, tornou-se um dos principais missionários do cristianismo primitivo, empreendendo, segundo o relato de Atos, três grandes viagens missionárias pelo Mediterrâneo oriental, passando por regiões como Chipre, Ásia Menor, Macedônia e Grécia, e fundando ou fortalecendo comunidades cristãs em cidades como Corinto, Éfeso, Filipos, Tessalônica e Galácia. Participou do chamado Concílio de Jerusalém, no qual se discutiu se os convertidos ao cristianismo vindos do paganismo deveriam observar preceitos da Lei judaica, posição da qual Paulo emergiu como defensor de uma abertura maior aos gentios. É apontado pela tradição cristã como autor de diversas cartas dirigidas a essas comunidades, reunidas posteriormente no Novo Testamento, entre elas as epístolas aos Romanos, aos Coríntios, aos Gálatas e aos Filipenses, textos que se tornaram fundamentais para a formulação da teologia cristã sobre graça, fé e justificação. Preso por autoridades romanas e, segundo o relato bíblico, tendo apelado ao imperador em razão de sua cidadania romana, foi enviado a Roma. A tradição cristã sustenta que foi martirizado na cidade, provavelmente durante o reinado de Nero, entre os anos 64 e 67 d.C. Seu legado é central para a expansão do cristianismo além do contexto judaico original e para a formação da doutrina cristã ao longo dos séculos seguintes.