Michel Foucault nasceu em Poitiers, na França, em 15 de outubro de 1926, em uma família de médicos — seu pai era cirurgião e esperava que ele seguisse a mesma carreira. Foucault, porém, optou pela filosofia e ingressou na École Normale Supérieure de Paris em 1946, onde estudou com professores como Louis Althusser e Jean Hyppolite. Formou-se em psicologia e filosofia, e sua trajetória intelectual foi marcada por uma profunda insatisfação com as instituições e os saberes estabelecidos. Durante os anos 1950, trabalhou como diplomata cultural na Suécia, Polônia e Alemanha, período em que escreveu sua primeira grande obra, História da Loucura na Idade Clássica (1961), que examina como a sociedade ocidental classificou e excluiu os considerados insanos. A obra consolidou seu método arqueológico — a análise das estruturas discursivas que determinam o que pode ser dito e pensado em cada época. Em 1966, publicou As Palavras e as Coisas, um estudo das epistemes (estruturas de conhecimento) que organizam o saber ocidental, que se tornou um best-seller inesperado e o consagrou como um dos principais intelectuais franceses. Nos anos 1970, sua obra tomou um rumo mais político com a Microfísica do Poder e Vigiar e Punir (1975), onde analisa a transição dos suplícios medievais para os sistemas prisionais modernos e introduz o conceito de disciplinamento dos corpos como forma de controle social. Em A História da Sexualidade, projeto em vários volumes, investigou como o poder opera não apenas pela repressão, mas também pela produção de saberes e identidades — desenvolvendo os conceitos de biopoder e biopolítica, que se referem ao controle dos corpos e das populações pelo Estado. Foucault foi ativista político ao longo da vida, engajando-se em causas como os direitos dos presos, dos homossexuais e dos imigrantes. Lecionou no Collège de France de 1970 até sua morte, em aulas que se tornaram eventos intelectuais em Paris. Morreu em 25 de junho de 1984, aos 57 anos, vítima de complicações da AIDS — uma das primeiras figuras públicas francesas a morrer da doença. Sua influência é imensa e atravessa a filosofia, a sociologia, a história, a criminologia, a teoria literária e os estudos de gênero, sendo um dos pensadores mais citados do século XX.