Michel de Montaigne
Filósofo e escritor francês do século XVI, criador do gênero do ensaio, conhecido pelo ceticismo moderado e pela pergunta Que sais-je?.
Michel Eyquem de Montaigne nasceu em 28 de fevereiro de 1533 no Château de Montaigne, próximo a Bordeaux, na França, filho de uma família de comerciantes enriquecidos que havia adquirido título de nobreza. Por decisão pedagógica incomum de seu pai, foi criado falando latim como primeira língua, antes mesmo do francês, e recebeu educação humanista refinada. Estudou direito e exerceu a magistratura no parlamento de Bordeaux, onde travou profunda amizade com o escritor Étienne de La Boétie, cuja morte prematura, em 1563, o marcou de forma duradoura e influenciou suas reflexões posteriores sobre amizade e perda. Em 1571, retirou-se da vida pública para a torre de sua propriedade, dedicando-se à leitura e à escrita. Ali produziu os Ensaios, obra publicada inicialmente em dois livros em 1580 e ampliada com um terceiro livro na edição de 1588, na qual inaugurou um novo gênero literário, o ensaio, do francês essai, ou tentativa, caracterizado pela reflexão pessoal, digressiva e experimental sobre temas variados como educação, amizade, morte, os povos indígenas das Américas e os limites do conhecimento humano. Adotou postura de ceticismo moderado, inspirada no pirronismo antigo, sintetizada na pergunta que se tornou sua marca, Que sais-je?, ou O que eu sei?, gravada em uma medalha que mandou cunhar. Sua obra também é lembrada pela reflexão precoce sobre relativismo cultural, ao questionar, no ensaio Dos Canibais, a suposta superioridade da civilização europeia sobre os povos recém-conhecidos do Novo Mundo. Serviu como prefeito de Bordeaux entre 1581 e 1585, período marcado pelas Guerras de Religião entre católicos e huguenotes na França, buscando posição de moderação e conciliação. Viajou pela Suíça, Alemanha e Itália, registrando suas impressões em um diário de viagem publicado postumamente. Morreu em seu castelo em 13 de setembro de 1592, aos 59 anos. Seu método de autoexame introspectivo e sua prosa marcada pela dúvida e pela tolerância exerceram influência duradoura sobre pensadores posteriores, como Descartes, Pascal, Rousseau, Nietzsche e Emerson, consolidando o ensaio como uma das formas mais importantes da literatura e do pensamento ocidental.