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Filosofando FILOSOFANDOPensar. Compreender. Transformar.
Martha Nussbaum

Martha Nussbaum

Filósofa americana contemporânea, criadora da abordagem das capacidades e referência em ética, emoções e justiça.

Martha Nussbaum nasceu em Nova York, nos Estados Unidos, em 6 de maio de 1947. Cursou graduação na Universidade de Nova York, onde estudou teatro e literatura clássica, e posteriormente doutorou-se em filologia clássica e filosofia pela Universidade Harvard, em 1975, tendo se dedicado inicialmente ao estudo da filosofia grega antiga, sobretudo Aristóteles. Lecionou em Harvard e na Universidade Brown antes de se estabelecer, a partir de 1995, na Universidade de Chicago, onde é professora de direito e ética na Faculdade de Direito e no Departamento de Filosofia, ocupando a cátedra Ernst Freund de Serviço Distinto. Sua obra articula filosofia antiga, ética, filosofia política e direito, com forte compromisso com questões de justiça social, gênero e desenvolvimento humano. É mundialmente conhecida por ter desenvolvido, em diálogo próximo com o economista indiano Amartya Sen, a chamada "abordagem das capacidades" (capabilities approach), estrutura teórica que avalia o bem-estar e a justiça de uma sociedade não apenas pela renda ou pelo produto econômico, mas pelas capacidades reais que as pessoas têm de viver a vida que valorizam — incluindo saúde, educação, integridade corporal, participação política e afiliação social. Essa abordagem influenciou diretamente indicadores internacionais de desenvolvimento humano, como os utilizados pelas Nações Unidas. Entre suas obras mais importantes estão "A Fragilidade da Bondade" (1986), estudo sobre ética e vulnerabilidade na filosofia e na tragédia gregas; "Sexo e Justiça Social" (1999), sobre gênero, orientação sexual e direitos; "Mulheres e Desenvolvimento Humano" (2000), em que aplica a abordagem das capacidades a questões de justiça de gênero em países em desenvolvimento; "Fúria com o Pensamento" (2001), extenso estudo sobre a natureza cognitiva das emoções; e "Emoções Políticas" (2013), sobre o papel do amor, da compaixão e de outros sentimentos na sustentação de sociedades justas. Escreveu também sobre deficiência, dignidade animal, liberdade religiosa e o valor das humanidades na educação, defendendo em obras de divulgação a importância do pensamento crítico e da imaginação literária para a formação de cidadãos democráticos. Recebeu numerosos prêmios e títulos honorários ao longo da carreira e é regularmente citada entre as filósofas vivas mais influentes do mundo, mantendo-se intelectualmente ativa, com publicações constantes que articulam rigor acadêmico e engajamento com problemas públicos contemporâneos.