Karl Popper nasceu em Viena, então capital do Império Austro-Húngaro, em 28 de julho de 1902, filho de uma família de origem judaica convertida ao luteranismo. Formou-se pela Universidade de Viena, onde estudou matemática, física e psicologia antes de doutorar-se em filosofia em 1928. Frequentou o ambiente intelectual vienense da época sem integrar formalmente o Círculo de Viena dos positivistas lógicos, dos quais se tornaria, ainda assim, um crítico influente. Com a ascensão do nazismo e a iminência da anexação da Áustria pela Alemanha, emigrou em 1937 para a Nova Zelândia, onde lecionou no Canterbury University College, retornando à Europa em 1946 para assumir um posto na London School of Economics, na qual permaneceu até se aposentar, tendo sido nomeado cavaleiro pela coroa britânica em 1965. Em A Lógica da Pesquisa Científica (1934), propôs o critério de falseabilidade como marco de demarcação entre ciência e pseudociência ou metafísica: para Popper, uma teoria só é genuinamente científica se for formulada de modo a admitir, ao menos em princípio, testes capazes de refutá-la, em contraste com teorias que considerava imunizadas contra qualquer refutação empírica. Escrito durante a Segunda Guerra Mundial e publicado em 1945, A Sociedade Aberta e Seus Inimigos estende essa preocupação epistemológica ao terreno político, analisando criticamente Platão, Hegel e Marx como precursores intelectuais do totalitarismo e defendendo, em contraposição, sociedades abertas, plurais e submetidas à crítica racional constante. Em A Miséria do Historicismo (1957), atacou a pretensão de prever cientificamente o curso da história. Desenvolveu ainda, em obras como Conjecturas e Refutações (1963) e Conhecimento Objetivo (1972), a epistemologia do racionalismo crítico, segundo a qual o conhecimento avança por tentativa e erro, mediante conjecturas ousadas submetidas a refutações sistemáticas, e não por acúmulo indutivo de confirmações. Popper morreu em Londres em 17 de setembro de 1994, aos 92 anos. Sua obra deixou marca duradoura tanto na filosofia da ciência quanto no debate sobre liberalismo, totalitarismo e os fundamentos racionais da democracia.