John Maynard Keynes
Economista britânico fundador da macroeconomia moderna, defensor da intervenção estatal para estabilizar ciclos econômicos e combater recessões.
John Maynard Keynes nasceu em Cambridge, na Inglaterra, em 5 de junho de 1883, filho do economista John Neville Keynes e da reformista social Florence Ada Keynes. Estudou no colégio de Eton e depois no King's College, em Cambridge, onde se formou em matemática em 1905 e teve contato com o economista Alfred Marshall, que o incentivou a se dedicar à economia. Trabalhou brevemente no escritório colonial britânico responsável pela Índia antes de retornar a Cambridge como professor. Integrou o chamado Grupo de Bloomsbury, círculo de intelectuais e artistas britânicos que incluía Virginia Woolf. Em 1919, participou da delegação britânica na Conferência de Paz de Versalhes, da qual se demitiu em protesto contra as pesadas reparações impostas à Alemanha derrotada; sua crítica resultou no livro As Consequências Econômicas da Paz (1919), que previu que os termos do tratado gerariam instabilidade duradoura na Europa. Ao longo das décadas seguintes, desenvolveu uma nova abordagem para compreender flutuações econômicas, culminando na obra que fundou a macroeconomia moderna, Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda (1936). Nela, argumentou que economias de mercado podem permanecer presas a períodos prolongados de desemprego e estagnação sem correção automática, defendendo a intervenção do Estado — por meio de gastos públicos e política monetária — para estimular a demanda agregada em momentos de recessão. Suas ideias influenciaram profundamente as políticas econômicas ocidentais nas décadas posteriores à Segunda Guerra Mundial, dando origem à escola de pensamento conhecida como keynesianismo. Também teve papel central na Conferência de Bretton Woods, em 1944, ajudando a desenhar a arquitetura financeira internacional do pós-guerra, incluindo a criação do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial. Casou-se em 1925 com a bailarina russa Lydia Lopokova. Especulou com sucesso e também com prejuízos em mercados financeiros e de commodities ao longo da vida, acumulando fortuna considerável. Keynes morreu em sua residência em Tilton, no condado de Sussex, na Inglaterra, em 21 de abril de 1946, vítima de um ataque cardíaco, aos 62 anos. Seu legado permanece central nos debates econômicos contemporâneos, ressurgindo com força em momentos de crise, como após a crise financeira de 2008, quando governos ao redor do mundo recorreram novamente a políticas de inspiração keynesiana.