Jeremy Bentham nasceu em Londres, Inglaterra, em 15 de fevereiro de 1748, filho de um próspero advogado. Criança precoce, começou a estudar latim ainda muito jovem e ingressou na Queen's College, Oxford, aos doze anos, formando-se em direito; embora habilitado para advogar, nunca chegou a exercer a profissão, dedicando-se inteiramente à reflexão filosófica e à reforma legal. É considerado o fundador do utilitarismo clássico, corrente ética que defende que a moralidade das ações deve ser julgada por suas consequências, especificamente pela capacidade de maximizar a felicidade e minimizar o sofrimento do maior número possível de pessoas, no que ficou conhecido como o princípio da maior felicidade. Em sua obra principal, Uma Introdução aos Princípios da Moral e da Legislação (1789), propôs um método para avaliar quantitativamente o prazer e a dor resultantes de uma ação, o chamado cálculo felicífico, considerando fatores como intensidade, duração e certeza. Bentham aplicou seus princípios utilitaristas à crítica do direito penal e do sistema prisional de sua época, defendendo reformas legais racionais em vez de tradições herdadas sem justificativa clara. Ficou célebre por conceber o panóptico, um modelo arquitetônico de prisão que permitiria a vigilância constante dos detentos por um único observador central, ideia posteriormente analisada por filósofos como Michel Foucault como metáfora dos mecanismos modernos de controle social. Foi também um reformador social à frente de seu tempo: defendeu a extensão do sufrágio, os direitos das mulheres, a separação entre Igreja e Estado e, em textos que só vieram a público postumamente, a descriminalização de relações homossexuais. Teve papel decisivo na fundação do que se tornaria a University College London, uma das primeiras universidades inglesas a admitir estudantes independentemente de religião. Bentham morreu em Londres em 6 de junho de 1832, aos 84 anos. Por disposição testamentária própria, seu corpo foi dissecado publicamente para fins de estudo anatômico e depois preservado como um "auto-ícone", o esqueleto vestido com suas roupas e encimado por uma cabeça de cera, que permanece exposto na University College London até hoje. Seu legado influenciou diretamente John Stuart Mill, que refinou e humanizou o utilitarismo benthamita, e permanece central para a filosofia moral, o direito e a economia do bem-estar contemporâneos, sendo Bentham um dos primeiros pensadores ocidentais a incluir explicitamente o sofrimento animal no escopo da consideração moral.