Jean-Paul Sartre nasceu em Paris, em 21 de junho de 1905, filho único de um oficial da marinha que morreu quando ele tinha apenas 15 meses. Criado pela mãe e pelos avós maternos, Sartre foi uma criança prodígio na leitura e na escrita. Estudou na École Normale Supérieure de Paris, onde conheceu Simone de Beauvoir em 1929 — iniciou-se ali uma parceria intelectual e afetiva que duraria a vida inteira, marcada por um relacionamento aberto e não convencional. Formou-se em filosofia e passou a lecionar em liceus de Le Havre, Laon e Paris. Durante a Segunda Guerra Mundial, foi mobilizado e serviu como meteorologista no exército francês, sendo capturado pelos alemães em 1940. Passou nove meses em um campo de prisioneiros de guerra, onde continuou escrevendo e dando aulas aos companheiros de cativeiro. Libertado em 1941, retornou a Paris e envolveu-se na Resistência Francesa. Em 1943, publicou sua obra filosófica mais importante, O Ser e o Nada, onde desenvolve sua ontologia existencialista. Para Sartre, a existência precede a essência — o ser humano não nasce com uma natureza predeterminada, mas é inteiramente livre para construir a si mesmo através de suas escolhas. Essa liberdade radical é ao mesmo tempo uma bênção e um fardo: "o homem está condenado a ser livre", escreveu, pois é responsável não apenas por si mesmo, mas por toda a humanidade. Popularizou suas ideias também através do teatro e da literatura: suas peças As Mãos Sujas, Entre Quatro Paredes (de onde vem a célebre frase "O inferno são os outros") e A Mosca, e seu romance A Náusea tornaram-se clássicos. Recusou o Prêmio Nobel de Literatura em 1964, alegando que um escritor não deve se deixar transformar em instituição. Engajou-se politicamente ao longo de toda a vida — foi marxista, apoiou a independência da Argélia, criticou o colonialismo francês, a Guerra do Vietnã e a invasão soviética da Hungria, e esteve ao lado dos estudantes nos protestos de Maio de 68 em Paris. Na velhice, ficou quase cego, mas continuou escrevendo e dando entrevistas até o fim. Morreu em Paris em 15 de abril de 1980, aos 74 anos, e seu enterro reuniu cerca de 50 mil pessoas que o acompanharam até o cemitério de Montparnasse, ao lado de Simone de Beauvoir. É um dos pensadores mais influentes do século XX, cujo existencialismo marcou profundamente a filosofia, a literatura, o teatro e a cultura ocidental.