Jean-François Lyotard nasceu em Versalhes, na França, em 10 de agosto de 1924. Estudou filosofia na Sorbonne, em Paris, formando-se no início da década de 1950. Nos anos seguintes, lecionou filosofia na Argélia francesa durante o período conturbado que antecedeu a guerra de independência, experiência que marcou profundamente seu pensamento político. De volta à França, aproximou-se do grupo de esquerda radical Socialisme ou Barbarie, ao lado de intelectuais como Cornelius Castoriadis, engajando-se em reflexões sobre marxismo, burocracia e revolução, posições que revisaria criticamente com o tempo. Doutorou-se em filosofia e tornou-se professor na Universidade de Paris VIII (Vincennes), instituição experimental criada após maio de 1968, e posteriormente lecionou também na Universidade da Califórnia em Irvine, nos Estados Unidos. Sua obra mais influente, "A Condição Pós-Moderna: Um Relatório sobre o Saber" (1979), foi originalmente encomendada como um relatório sobre o estado do conhecimento nas sociedades avançadas para o governo de Quebec, no Canadá. Nele, Lyotard popularizou o termo "pós-modernismo" no campo filosófico, definindo a condição pós-moderna como "incredulidade em relação às metanarrativas" — a desconfiança diante dos grandes relatos totalizantes que legitimavam o saber e o progresso na modernidade, como o iluminismo, o marxismo ou a ideia de emancipação universal pela ciência. Para Lyotard, o conhecimento contemporâneo se fragmenta em jogos de linguagem múltiplos e heterogêneos, sem um critério único de validação. Outra obra central é "O Diferendo" (1983), na qual desenvolve o conceito de "diferendo" — um conflito entre partes que não pode ser resolvido de forma justa porque não existe uma linguagem comum capaz de expressar igualmente as duas posições, como ocorre frequentemente em disputas envolvendo vítimas e poder. Escreveu ainda "Discurso, Figura" (1971), sobre a relação entre linguagem verbal e visual, e "Economia Libidinal" (1974), obra de tom mais provocador sobre desejo e capitalismo. Lyotard também refletiu sobre estética, arte contemporânea e o conceito de sublime, retomando categorias kantianas. Morreu em Paris, em 21 de abril de 1998, vítima de leucemia. Seu legado é central para os debates sobre pós-modernidade nas humanidades, tendo influenciado a filosofia, a teoria literária, os estudos culturais e a sociologia, mesmo sendo posteriormente criticado por autores que consideraram o rótulo "pós-moderno" impreciso ou superado.