Georg Wilhelm Friedrich Hegel nasceu em Stuttgart, no Ducado de Württemberg, em 27 de agosto de 1770, filho de um funcionário público da administração ducal. Formou-se em teologia e filosofia no Tübinger Stift, seminário protestante da Universidade de Tübingen, onde conviveu com o poeta Friedrich Hölderlin e o filósofo Friedrich Schelling, com quem manteve amizade e diálogo intelectual duradouros. Depois de trabalhar como preceptor particular em Berna e Frankfurt, mudou-se para Jena, onde lecionou e publicou, em 1807, sua primeira grande obra, "Fenomenologia do Espírito", escrita sob a pressão dos acontecimentos que levaram à Batalha de Jena, travada entre tropas napoleônicas e prussianas. Nos anos seguintes, dirigiu um ginásio em Nuremberg e publicou "Ciência da Lógica" (1812-1816), obra em que desenvolveu de modo sistemático seu método dialético, segundo o qual o pensamento e a realidade avançam por meio da superação de contradições internas, processo frequentemente resumido, em leituras posteriores, pela fórmula tese-antítese-síntese. Tornou-se professor em Heidelberg e, a partir de 1818, ocupou a cátedra de filosofia da Universidade de Berlim, posição que consolidou sua influência sobre toda uma geração de estudantes. Publicou ainda a "Enciclopédia das Ciências Filosóficas" (1817) e "Princípios da Filosofia do Direito" (1820), nos quais tratou de lógica, natureza, espírito, ética e Estado como momentos de um único processo racional em desenvolvimento histórico. Sua filosofia da história, que via os acontecimentos humanos como manifestação progressiva da razão e da liberdade, tornou-se uma das referências mais discutidas do pensamento europeu. Hegel morreu em Berlim em 14 de novembro de 1831, provavelmente vítima de cólera, durante uma epidemia que assolava a cidade. Após sua morte, seus seguidores se dividiram entre uma direita hegeliana, mais conservadora e religiosa, e uma esquerda hegeliana, da qual fizeram parte Ludwig Feuerbach e, mais tarde, Karl Marx, que reinterpretou o método dialético hegeliano em termos materialistas. A obra de Hegel influenciou correntes tão diversas quanto o marxismo, o existencialismo e a fenomenologia, permanecendo até hoje objeto central de estudo na história da filosofia.