Hannah Arendt nasceu em Linden, distrito de Hanôver, na Alemanha, em 14 de outubro de 1906, em uma família judia assimilada, e cresceu em Königsberg. Estudou filosofia na Universidade de Marburgo, onde foi aluna e teve um relacionamento pessoal com Martin Heidegger, e também estudou com Edmund Husserl em Friburgo. Doutorou-se em filosofia pela Universidade de Heidelberg em 1929, sob orientação de Karl Jaspers, com uma tese sobre o conceito de amor em Santo Agostinho. Com a ascensão do nazismo, foi brevemente detida pela Gestapo em 1933 e fugiu para Paris, onde trabalhou em organizações de auxílio a refugiados judeus e à emigração juvenil sionista. Após a ocupação da França, foi internada no campo de Gurs em 1940, de onde escapou, conseguindo emigrar para os Estados Unidos em 1941. Tornou-se apátrida por anos, até naturalizar-se cidadã americana em 1950. Trabalhou como editora e escreveu para publicações judaicas e intelectuais antes de se consolidar como pensadora política. Em 1951, publicou As Origens do Totalitarismo, obra que analisa o antissemitismo, o imperialismo e os regimes totalitários do século XX como fenômenos políticos inéditos. Lecionou em diversas universidades americanas e, em 1959, tornou-se a primeira mulher a ocupar uma cátedra plena na Universidade de Princeton. Em 1958, publicou A Condição Humana, no qual distingue as esferas do labor, do trabalho e da ação na vida humana. Em 1961, cobriu para a revista The New Yorker o julgamento de Adolf Eichmann em Jerusalém, resultando no livro Eichmann em Jerusalém: Um Relato sobre a Banalidade do Mal, de 1963, no qual descreveu o burocrata nazista não como um monstro ideológico, mas como um funcionário medíocre movido pela obediência irrefletida a ordens, formulação que gerou intensa controvérsia entre intelectuais judeus e não judeus da época. A expressão banalidade do mal tornou-se um dos conceitos mais discutidos da filosofia política do século XX. Arendt também escreveu Sobre a Revolução e diversos ensaios sobre liberdade, autoridade e a condição dos refugiados. Morreu em Nova York, em 4 de dezembro de 1975, aos 69 anos, vítima de ataque cardíaco. Seu pensamento permanece referência fundamental para os estudos sobre totalitarismo, esfera pública, direitos humanos e a natureza do mal político.