Gottfried Wilhelm Leibniz
Filósofo, matemático e polímata alemão, coinventor do cálculo infinitesimal, autor da Monadologia e da Teodiceia.
Gottfried Wilhelm Leibniz nasceu em Leipzig, na Saxônia, atual Alemanha, em 1º de julho de 1646, filho de um professor de filosofia moral. Criança precoce, teve acesso desde cedo à extensa biblioteca do pai e ingressou na Universidade de Leipzig ainda adolescente, estudando direito e filosofia; obteve seu doutorado em direito pela Universidade de Altdorf em 1666, depois que a instituição de Leipzig recusou concedê-lo por considerá-lo jovem demais. Ao longo da vida, trabalhou como diplomata, jurista, historiador e bibliotecário a serviço da Casa de Hanôver, conciliando essas funções com uma produção intelectual de amplitude excepcional que abrangeu matemática, lógica, física, teologia e metafísica, o que faz dele um dos últimos grandes polímatas da tradição europeia. Em matemática, é reconhecido, ao lado de Isaac Newton, como um dos criadores independentes do cálculo infinitesimal, tendo desenvolvido boa parte da notação, incluindo os símbolos de integral e derivada, ainda hoje em uso; a questão da prioridade da descoberta gerou uma disputa acirrada e duradoura entre os partidários de Leibniz e os de Newton. Em filosofia, sua obra mais sistemática é a Monadologia (1714, publicada postumamente), na qual propõe que a realidade última é composta por infinitas substâncias simples e indivisíveis, as mônadas, cada uma refletindo o universo inteiro a partir de seu próprio ponto de vista, sem interação causal direta entre si, mas coordenadas por uma harmonia preestabelecida instituída por Deus. Em Ensaios de Teodiceia (1710), enfrentou o problema do mal e da existência do sofrimento em um mundo criado por um Deus onipotente e benevolente, concluindo que o mundo atual, apesar de suas imperfeições, seria o melhor dos mundos possíveis entre todos os que Deus poderia ter criado, tese que se tornaria célebre também por ter sido alvo da sátira de Voltaire no romance Cândido. Leibniz também formulou princípios pioneiros de lógica simbólica e chegou a esboçar a ideia de uma característica universal, uma linguagem formal capaz de reduzir o raciocínio a cálculo, antecipando conceitos que só seriam plenamente desenvolvidos na lógica matemática dos séculos XIX e XX. Morreu em Hanôver em 14 de novembro de 1716, aos 70 anos, relativamente esquecido pela corte a que servira nos últimos anos de vida; seu legado, no entanto, viria a ser reconhecido como um dos mais vastos e influentes da história da filosofia e da ciência ocidentais.