Friedrich Wilhelm Nietzsche nasceu em Röcken, na Prússia (atual Alemanha), em 15 de outubro de 1844, filho de um pastor luterano que morreu quando ele tinha apenas cinco anos. Criado em um ambiente doméstico exclusivamente feminino — com a mãe, a irmã e duas avós —, destacou-se desde cedo pelos estudos. Aos 24 anos, tornou-se professor de filologia clássica na Universidade da Basileia, na Suíça, uma posição extraordinariamente prestigiosa para alguém tão jovem, antes mesmo de concluir seu doutorado. Durante esse período, tornou-se amigo próximo do compositor Richard Wagner, influência que depois rejeitaria de forma contundente. Sua carreira acadêmica foi interrompida por problemas de saúde: sofria de fortes dores de cabeça, problemas de visão e distúrbios digestivos, que o levaram a se aposentar precocemente em 1879, aos 34 anos. A partir de então, viveu uma vida nômade entre a Suíça, a Itália e a França, escrevendo suas obras mais importantes em um ritmo alucinante. Sua produção filosófica é radical e provocadora. Em Assim Falou Zaratustra, apresenta a figura do além-do-homem (Übermensch) e a doutrina do eterno retorno. Em Para Além do Bem e do Mal e Genealogia da Moral, empreende uma crítica implacável da moral cristã e dos valores ocidentais, que ele via como uma moral de escravos que sufoca a vida e a vontade de poder. Em O Anticristo, ataca frontalmente o cristianismo como uma religião decadente. Para Nietzsche, a vida é vontade de poder — impulso fundamental de crescimento, superação e afirmação — e a verdadeira grandeza está em criar os próprios valores em vez de aceitar passivamente os herdados. Sua famosa afirmação "Deus está morto" não era uma celebração, mas a constatação de que a crença em um fundamento moral transcendente havia ruído na modernidade, cabendo ao ser humano criar novos valores. Em janeiro de 1889, em Turim, Nietzsche teve um colapso mental ao testemunhar um cavalo sendo açoitado — correu para abraçar o animal e desabou. Nunca mais se recuperou. Passou os últimos onze anos de sua vida sob os cuidados da mãe e depois da irmã, em estado de debilidade mental, até morrer em 25 de agosto de 1900, em Weimar. Sua obra foi manipulada pela irmã, Elisabeth, que a associou ao nazismo — associação que Nietzsche, que desprezava o antissemitismo e o nacionalismo alemão, certamente repudiaria. É hoje reconhecido como um dos pensadores mais influentes da modernidade, com impacto profundo na filosofia, na psicologia, na literatura e nas artes.