Erving Goffman nasceu em 11 de junho de 1922, em Mannville, pequena localidade da província de Alberta, no Canadá, filho de imigrantes judeus ucranianos. Estudou química na Universidade de Manitoba antes de se transferir para a sociologia na Universidade de Toronto, e cursou o doutorado na Universidade de Chicago, então um dos centros mais influentes da sociologia urbana e da pesquisa etnográfica nos Estados Unidos, obtendo o título em 1953. Para sua tese, realizou trabalho de campo prolongado na pequena comunidade das ilhas Shetland, na Escócia, observando de perto como os moradores locais administravam sua conduta e sua imagem diante uns dos outros na vida cotidiana. Dessa pesquisa nasceu seu livro mais conhecido, "A Representação do Eu na Vida Cotidiana", publicado inicialmente em 1956 e depois em edição ampliada em 1959, no qual desenvolveu a chamada abordagem dramatúrgica da interação social: a ideia de que os indivíduos, em suas trocas cotidianas, atuam como atores em um palco, gerenciando impressões diante de uma plateia por meio de uma "fachada" social, com bastidores nos quais podem relaxar essa performance. Lecionou na Universidade da Califórnia em Berkeley e, posteriormente, na Universidade da Pensilvânia. Em "Manicômios, Prisões e Conventos" (1961), cunhou o conceito de instituição total para descrever ambientes fechados, como hospitais psiquiátricos e presídios, que exercem controle abrangente sobre praticamente todos os aspectos da vida dos internados, obra baseada em observação de campo realizada em um hospital psiquiátrico de Washington. Em "Estigma: Notas sobre a Manipulação da Identidade Deteriorada" (1963), analisou como certos atributos sociais desacreditam indivíduos perante os outros e como esses indivíduos administram informações sobre si mesmos para lidar com o estigma. Publicou ainda "Ritual de Interação" (1967) e "Análise de Quadros" (1974), nos quais refinou seus conceitos sobre a organização da experiência social cotidiana. Em 1981 e 1982, foi eleito presidente da Associação Americana de Sociologia, mas morreu antes de poder proferir seu discurso presidencial, vítima de câncer, em 19 de novembro de 1982, na Filadélfia. Sua obra teve grande impacto sobre a microssociologia, os estudos de interação social e áreas como a comunicação e os estudos sobre identidade.