Daniel Kahneman nasceu em Tel Aviv, então parte da Palestina sob mandato britânico, em 5 de março de 1934, filho de judeus lituanos que viviam na França. Passou a infância em Paris e no interior da França durante a ocupação nazista, período de medo e clandestinidade que marcou sua formação, antes de a família migrar para a Palestina em 1948. Graduou-se em psicologia e matemática pela Universidade Hebraica de Jerusalém e, após servir no exército israelense, onde trabalhou em avaliação psicológica de recrutas, doutorou-se em psicologia pela Universidade da Califórnia em Berkeley, em 1961. Lecionou na Universidade Hebraica de Jerusalém, na Universidade de British Columbia e na Universidade da Califórnia em Berkeley antes de ingressar, em 1993, na Universidade de Princeton, onde se tornou professor emérito de psicologia e assuntos públicos. A partir do início dos anos 1970, iniciou uma colaboração duradoura com o psicólogo Amos Tversky, com quem desenvolveu pesquisas sobre heurísticas e vieses no julgamento humano sob incerteza, mostrando que decisões cotidianas frequentemente se afastam dos modelos de racionalidade previstos pela teoria econômica clássica. Dessa parceria nasceu também a teoria do prospecto, publicada em 1979, que descreve como as pessoas avaliam ganhos e perdas de forma assimétrica. Em 2002, Kahneman recebeu o Prêmio Nobel de Ciências Econômicas, mesmo sendo psicólogo de formação e nunca economista, por ter integrado insights da pesquisa psicológica à ciência econômica, especialmente no que se refere a julgamento e tomada de decisão em condições de incerteza; a premiação reconheceu também o trabalho conjunto com Tversky, morto em 1996 e, portanto, inelegível ao prêmio, que não é concedido postumamente. Sua obra mais influente para o público geral, o livro Rápido e Devagar: Duas Formas de Pensar, publicado em 2011, popularizou a distinção entre Sistema 1, o modo de pensamento rápido, intuitivo e automático, e Sistema 2, o modo lento, deliberativo e esforçado, tornando-se referência central da economia comportamental. Kahneman também contribuiu para os estudos sobre bem-estar subjetivo e felicidade. Morreu em 27 de março de 2024, aos 90 anos. Seu trabalho transformou de maneira duradoura a psicologia cognitiva, a economia e áreas aplicadas como políticas públicas, direito e medicina, ao demonstrar que a racionalidade humana é sistematicamente limitada por atalhos mentais previsíveis.