Charles Robert Darwin nasceu em Shrewsbury, na Inglaterra, em 12 de fevereiro de 1809, em uma família abastada e intelectual — seu pai era médico e seu avô, Erasmus Darwin, já era um naturalista respeitado. Quando jovem, estudou medicina na Universidade de Edimburgo, mas abandonou o curso por não suportar as cirurgias sem anestesia. Seguiu então para Cambridge, onde se formou em teologia, mas seu verdadeiro interesse sempre foi a história natural. Em 1831, aos 22 anos, embarcou como naturalista no HMS Beagle, uma expedição científica de cinco anos ao redor do mundo que mudaria sua vida e a história da ciência. Durante a viagem, Darwin coletou milhares de espécimes de fósseis, plantas e animais, e fez observações cruciais — especialmente nas Ilhas Galápagos, onde notou que espécies de tentilhões variavam de ilha para ilha, adaptando-se a diferentes ambientes. De volta à Inglaterra em 1836, passou os próximos 20 anos desenvolvendo sua teoria, analisando dados e correspondendo-se com outros cientistas, mas relutava em publicá-la por temer a reação da Igreja e da sociedade vitoriana. Em 1858, recebeu uma carta de Alfred Russel Wallace, um jovem naturalista que, independentemente, chegara à mesma ideia de evolução por seleção natural — isso o pressionou a publicar. Em 1859, lançou A Origem das Espécies, um dos livros mais importantes da história, que apresentou três evidências centrais: todas as espécies descendem de ancestrais comuns, a evolução ocorre gradualmente ao longo de milhões de anos, e o mecanismo principal é a seleção natural, pela qual organismos mais adaptados ao ambiente têm maior chance de sobreviver e se reproduzir. A obra causou um choque profundo na sociedade vitoriana, pois colocava o ser humano como parte do reino animal, desafiando diretamente a narrativa bíblica da criação. Seguiu-se um debate público intenso, incluindo o famoso confronto entre Thomas Huxley (defensor de Darwin) e o bispo Samuel Wilberforce em 1860. Darwin publicou depois A Descendência do Homem (1871), onde aplicou sua teoria à origem da humanidade. Sofria de problemas de saúde crônicos — dores abdominais, vômitos e palpitações — que limitavam seu trabalho e cuja causa exata nunca foi diagnosticada. Passou os últimos anos em sua casa em Downe, rodeado pela família e por seus experimentos com plantas e minhocas. Morreu em 19 de abril de 1882, aos 73 anos, e foi enterrado na Abadia de Westminster, ao lado de Isaac Newton. Sua teoria da evolução é até hoje a base de toda a biologia moderna.