Amartya Sen nasceu em Santiniketan, na região de Bengala, na Índia então sob domínio britânico, em 3 de novembro de 1933, em uma família de tradição acadêmica ligada à universidade fundada pelo poeta Rabindranath Tagore, onde passou parte da infância. Formou-se no Presidency College, em Calcutá, e depois no Trinity College, em Cambridge, onde obteve o doutorado em 1959. Ainda jovem, viveu a fome de Bengala de 1943, episódio que marcaria profundamente sua trajetória intelectual posterior. Lecionou em instituições como a Universidade Jadavpur, a Delhi School of Economics, a London School of Economics, a Universidade Harvard e a Universidade de Oxford, além de ter sido reitor do Trinity College, em Cambridge, entre 1998 e 2004 — o primeiro acadêmico asiático a ocupar o cargo. Contribuiu de forma decisiva para a teoria da escolha social e a economia do bem-estar, sistematizadas em obras como Escolha Coletiva e Bem-Estar Social (1970). Sua pesquisa sobre fomes coletivas, reunida em Pobreza e Fomes: Um Ensaio sobre Direito e Privação (1981), demonstrou que grandes fomes na história — incluindo a de Bengala em 1943 — resultaram menos da escassez absoluta de alimentos do que de falhas na distribuição e no acesso das populações a recursos, mesmo quando havia comida disponível no país. Ao lado da filósofa Martha Nussbaum, desenvolveu a chamada abordagem das capacidades, segundo a qual o desenvolvimento humano e o bem-estar devem ser avaliados pelas liberdades e capacidades reais que as pessoas têm de viver a vida que valorizam, e não apenas pela renda ou pelo Produto Interno Bruto; essa abordagem influenciou diretamente a criação do Índice de Desenvolvimento Humano das Nações Unidas, elaborado com o economista paquistanês Mahbub ul Haq. Em 1998, recebeu o Prêmio Nobel de Ciências Econômicas por suas contribuições à economia do bem-estar. Entre suas obras de maior alcance estão Desenvolvimento como Liberdade (1999) e A Ideia de Justiça (2009). Sen permanece, na terceira idade, uma das vozes mais respeitadas no debate global sobre desenvolvimento, pobreza e justiça social, com legado que reformulou os critérios usados por governos e organismos internacionais para medir progresso humano além dos indicadores puramente econômicos.