Albert Camus nasceu em 7 de novembro de 1913 em Mondovi, pequena localidade da Argélia então colônia francesa, em uma família muito pobre. Seu pai morreu em 1914, ferido em combate na Primeira Guerra Mundial, e Camus foi criado pela mãe, que era parcialmente surda e analfabeta, e pela avó materna, em um bairro popular de Argel. Apesar das dificuldades financeiras, destacou-se nos estudos com o incentivo de um professor primário, Louis Germain, a quem mais tarde dedicaria seu discurso do Prêmio Nobel. Formou-se em filosofia pela Universidade de Argel, com estudos sobre Plotino e Santo Agostinho, mas teve a carreira acadêmica interrompida pela tuberculose, diagnosticada quando tinha dezessete anos e que o acompanharia pelo resto da vida. Trabalhou como jornalista no periódico "Alger républicain" antes de se mudar para a França, onde, durante a ocupação nazista, integrou a Resistência francesa e dirigiu o jornal clandestino "Combat". Em 1942, publicou quase simultaneamente o romance "O Estrangeiro" e o ensaio filosófico "O Mito de Sísifo", obras em que formulou sua filosofia do absurdo: a tensão irredutível entre o desejo humano de sentido e o silêncio indiferente do universo diante desse desejo. Defendia que, reconhecido o absurdo, cabia ao ser humano viver com lucidez e revolta, sem recorrer a consolos religiosos ou ideológicos. Publicou ainda o romance "A Peste" (1947), alegoria sobre a ocupação e a resistência coletiva ao mal, e o ensaio "O Homem Revoltado" (1951), que lhe custou o rompimento público com Jean-Paul Sartre por sua crítica às revoluções que se legitimam pela violência ilimitada. Em 1957, recebeu o Prêmio Nobel de Literatura, tornando-se um dos escritores mais jovens a receber a honraria, "por sua importante produção literária, que ilumina com seriedade penetrante os problemas da consciência humana". Camus morreu em 4 de janeiro de 1960, aos 46 anos, em um acidente de automóvel perto de Villeblevin, na França, no carro dirigido por seu editor e amigo Michel Gallimard. Deixou inacabado o romance autobiográfico "O Primeiro Homem", publicado postumamente. Seu pensamento sobre o absurdo, a revolta e a dignidade humana diante do sofrimento permanece como uma das referências centrais da filosofia e da literatura do século XX.