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Religião

Secularização: Por Que o Mundo Está (ou Não) Ficando Menos Religioso

Administrador 24 de julho de 2026 13 visualizações 5 min de leitura
Secularização: Por Que o Mundo Está (ou Não) Ficando Menos Religioso

Igrejas esvaziadas na Europa Ocidental convivem, no mesmo planeta e na mesma década, com um crescimento expressivo de movimentos religiosos em partes da África, da América Latina e da Ásia. Diante desse quadro contraditório, cabe perguntar: o mundo está de fato ficando menos religioso? A resposta que a sociologia da religião oferece, depois de décadas de debate, é mais matizada do que qualquer manchete consegue capturar.

A tese clássica da secularização

Durante boa parte do século XX, prevaleceu nas ciências sociais a chamada tese da secularização: a ideia de que a modernização — industrialização, urbanização, expansão da educação formal e da ciência — levaria inevitavelmente ao declínio da influência religiosa na vida pública e privada das sociedades. Autores como Max Weber, com sua noção de "desencantamento do mundo", e mais tarde sociólogos como Peter Berger, deram sustentação teórica a essa expectativa, associando o avanço da racionalidade moderna a uma perda gradual do peso institucional e cultural da religião.

Quando o próprio autor revê a tese

Um episódio notável nesse debate é o do próprio Peter Berger, um dos formuladores mais influentes da tese da secularização nos anos 1960, que décadas depois reconheceu publicamente que a evidência empírica global não confirmava sua previsão original. Berger passou a defender que o mundo contemporâneo, longe de ser uniformemente secular, é "tão furiosamente religioso quanto sempre foi" — com a exceção notável da Europa Ocidental e de alguns setores intelectuais específicos, que ele passou a tratar como uma peculiaridade regional, e não como o destino universal da modernidade.

Os dados que sustentam o declínio em algumas regiões

Pesquisas de opinião e censos em diversos países da Europa Ocidental, bem como em partes da Oceania e da América do Norte, mostram de fato queda consistente na frequência a cultos religiosos, na filiação institucional a igrejas tradicionais e na identificação religiosa entre gerações mais jovens ao longo das últimas décadas. A socióloga britânica Grace Davie cunhou a expressão "crer sem pertencer" para descrever um fenômeno específico observado nesse contexto: pessoas que mantêm alguma forma de crença ou espiritualidade pessoal, mas se afastam progressivamente da participação institucional organizada.

Os dados que sustentam o crescimento em outras regiões

Em contraste, regiões como a África Subsaariana, partes do Sudeste Asiático e diversos países da América Latina registram, segundo estudos demográficos, crescimento expressivo de tradições religiosas — especialmente de vertentes pentecostais e evangélicas do cristianismo, além da manutenção de forte vitalidade em comunidades islâmicas, hindus e de outras tradições. O sociólogo Rodney Stark, crítico da tese clássica da secularização, argumentou que a religião não declina com a modernidade, mas se adapta e compete em um "mercado religioso", prosperando justamente em contextos de maior pluralismo e liberdade de escolha institucional, e não apenas em contextos tradicionais fechados.

Secularização institucional versus secularização pessoal

Parte da confusão no debate público decorre de misturar planos distintos. Sociólogos contemporâneos costumam distinguir a secularização em nível institucional (o afastamento entre Estado, direito e instituições religiosas), em nível organizacional (queda de frequência e filiação a igrejas específicas) e em nível individual (mudanças nas crenças e práticas pessoais das pessoas). É perfeitamente possível — e de fato ocorre em vários países — que haja secularização institucional forte, com separação clara entre religião e Estado, convivendo com níveis elevados de crença e espiritualidade pessoal entre os cidadãos.

Talvez a pergunta mais precisa não seja se o mundo está se tornando mais ou menos religioso, mas de que formas a experiência religiosa está se reconfigurando.

Uma paisagem plural, não uma linha reta

O consenso possível hoje entre sociólogos da religião é que não existe uma trajetória universal e linear de secularização aplicável a todas as sociedades. O que existe são trajetórias regionais distintas, moldadas por história, cultura, estrutura política e economia — e a fé religiosa, em suas mais diversas tradições, continua sendo, para a maior parte da humanidade, uma dimensão central e legítima da experiência de dar sentido à vida, mesmo em meio a essas transformações.

Para aprofundar esses temas, vale explorar também: O Que É Teodiceia? O Termo Que Batiza a Tentativa de Explicar o Mal, O Que É Panteísmo? Quando Deus e a Natureza Se Confundem e Ateísmo Novo: O Movimento de Dawkins, Dennett e Hitchens.

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Conteúdo produzido e revisado pela redação do Filosofando.

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