Diwali: O Festival das Luzes no Hinduísmo, Sikhismo e Jainismo
Todos os anos, entre outubro e novembro, milhões de casas se enchem de pequenas chamas, desenhos coloridos e doces compartilhados. É o Diwali, conhecido como Festival das Luzes, uma das celebrações mais importantes do subcontinente indiano. Seu nome deriva do sânscrito Deepavali, algo como "fileira de lamparinas", e a festa reúne significados próprios no hinduísmo, no jainismo e no sikhismo.
Quando acontece
A data não é fixa no calendário gregoriano porque segue o calendário lunissolar indiano. A festa principal costuma coincidir com a noite de lua nova do mês de Kartika, o que a situa geralmente entre meados de outubro e meados de novembro. Em muitas regiões, as comemorações se estendem por cerca de cinco dias, cada um com rituais e sentidos específicos.
O Diwali no hinduísmo
Para grande parte dos hindus, a festa recorda o retorno do príncipe Rama à cidade de Ayodhya, depois de anos de exílio e da vitória sobre o rei-demônio Ravana, como narra a epopeia Ramayana. Segundo a tradição, os habitantes acenderam lamparinas para iluminar o caminho de volta do herói. Em outras regiões, o destaque vai para Lakshmi, deusa da prosperidade e da boa fortuna, que é honrada com orações para abençoar o lar e o novo ciclo que se inicia.
Por trás das diferentes narrativas está um tema comum: a vitória da luz sobre as trevas, do conhecimento sobre a ignorância e do bem sobre o mal.
Acender uma lamparina é um gesto simples, mas carrega a esperança de que nenhuma escuridão é definitiva.
Jainismo e sikhismo
No jainismo, o Diwali marca o nirvana de Mahavira, o último dos tirthankaras, os grandes mestres espirituais dessa tradição. A data é dedicada à reflexão e à lembrança de sua libertação final do ciclo de renascimentos, e as luzes simbolizam o conhecimento que ele deixou aos discípulos.
Para os sikhs, a mesma época corresponde ao Bandi Chhor Divas, o "Dia da Libertação". A celebração recorda a soltura do sexto guru, Guru Hargobind, que havia sido mantido prisioneiro e, segundo a tradição, recusou-se a sair sozinho, conseguindo também a libertação de outros prisioneiros. O Templo Dourado de Amritsar fica intensamente iluminado nessa ocasião.
Os costumes do Diwali
Apesar das diferenças de sentido, muitos costumes são compartilhados. As famílias limpam e arrumam a casa, porque a tradição associa o lar organizado à acolhida das bênçãos. Pequenas lamparinas de barro com óleo, chamadas diyas, são acesas em janelas, portas e varandas. Na entrada das casas surgem os rangolis, desenhos geométricos ou florais feitos com pós coloridos, arroz ou pétalas.
Doces tradicionais são preparados e trocados entre vizinhos e parentes, roupas novas são usadas e presentes circulam entre amigos. Fogos de artifício também fazem parte da festa em muitos lugares, embora preocupações com a poluição do ar tenham levado algumas cidades a debater limites para seu uso.
Uma festa global
Com a diáspora indiana, o Diwali ultrapassou as fronteiras do subcontinente. Comunidades no Reino Unido, nos Estados Unidos, no Canadá, em países do Caribe, da África e do Sudeste Asiático celebram a data, muitas vezes com eventos públicos abertos a pessoas de todas as origens. Em alguns países, como Nepal, Sri Lanka, Singapura e Trinidad e Tobago, ela é inclusive feriado nacional.
Essa difusão transforma o Festival das Luzes em uma ponte entre culturas. Para quem observa de fora, conhecer o Diwali é também uma forma de perceber como tradições distintas podem compartilhar símbolos, gestos e, sobretudo, a esperança de renovação.
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Conteúdo produzido e revisado pela redação do Filosofando.